Live Memory

LIVE MEMORY

CLC Francisco Gondar

         Dizem que a verdadeira historia sempre é contada 40 ou 50 anos de depois. Talvez essa experiência esteja certa na medida em que com o passar dos anos as diversas informações são enriquecidas, são agregadas e se cruzam com tal harmonia que ao cabo de um tempo estabelecem e consolidam uma memória histórica.

         É o que se pode dizer do Hino da Escola de Marinha Mercante, que atravessou gerações, encantou e emocionou milhares de pessoas, foi esquecido, ressurgiu nos anos 80 e ainda hoje compõe o cerimonial da nossa querida Escola.

         No outono de 1958, o ano que não deveria ter acabado, o então Diretor da Escola CMG Dantas Torres, procurava um musico para compor uma melodia sobre os lindos versos que o Capitão de Fragata Ruy Figueiredo acabara de redigir como sendo um presumível Hino da Escola.

         Na ocasião surgiram nomes até famosos, e alguns músicos foram acionados para compor e adaptar uma melodia sobre aquelas belas palavras.

         O professor de Matemática, Urbano Gondar, com seu ouvido apurado somado a sua habilidade em diversos instrumentos musicais, sabendo da ansiedade do Diretor, apresentou-se como voluntário e despretensiosamente, tomou para si uma copia daqueles versos que ressaltam a grandeza do homem do mar.

         De posse da letra, na condução, em regresso para sua residência, sem alterar uma silaba sequer e no compromisso de manter a essência da mensagem, começou a assobiar uma canção, alegre, vibrante, em tom maior, que matematicamente foi se encaixando nos versos, respeitando suas pausas, silabas e atendendo enfim a todos os propositos exigidos.

“Singrar o mar, imenso e fascinante, orientados pelos astros do universo

é o lema dos alunos da mercante, para elevar do Brasil o seu progresso”

         É de se admirar, pois adaptar uma melodia a uma letra sem alterar uma silaba, uma entonação, atendendo e respeitando o motivo musical e, sobretudo com uma linda melodia é uma obra de engenharia musical.

         No dia seguinte o professor Urbano, dedilhou no piano a melodia,sob a atenção direta do saudoso maestro Oswaldo Cabral que logo em seguida aprovou, achou maravilhoso e prontificou-se a fazer o arranjo e a adaptação da música para a Banda Militar.

         Posteriormente foi marcada uma apresentação às autoridades, o que foi um sucesso. A música e a letra, ou seja, a composição e autoria, foram aceitas por unanimidade e incontinenti e assim nasceu o Hino da EMMRJ.

         Passaram-se os anos, a EMMRJ foi incorporada ao CIAGA e passou a se chamar Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante. EFOMM, o professor Urbano aposentou-se, muitos outros grandes mestres foram esquecidos, mas o hino da Escola, malgrado todas as adversidades da Marinha Mercante, permanece vivo, sendo tocado e cantado com entusiasmo e brilhantismo e nos dias de hoje, acreditamos que dada a sua beleza melódica e a força de seus versos, já tenha atingido o grau e a categoria de hino da Marinha Mercante Brasileira.

         A música e a poesia não pedem passagem. transpassam fronteiras, contagiam, comunicam, emocionam e marcam épocas em nossas vidas tal como o inesquecível hino da nossa escola, que desafiou o tempo, atravessou gerações e hoje é uma MEMORIA VIVA.

         Prof. Urbano, meu Pai e amigo que hoje conta 91 anos, como me orgulho de você. Obrigado pelo dom e pelas lições de vida. Seus acordes são exatos, matemática e música realmente se confundem e juntos compõem uma dedução perfeita.

         Se o espirituoso professor urbano Gondar fosse um maestro, com certeza ao final da apresentação apontaria a batuta para a partitura e voltado para o publico diria.

         “Como queríamos demonstrar”